Polícia
08/06/2020 - 02h40

Em manifesto, policiais apoiam movimento antifascista contra Bolsonaro


Policias de todo o Brasil se reuniram para manifestarem apoio aos movimentos antifascistas contra o presidente Jair Bolsonaro. O documento, divulgado na última sexta-feira 06, reúne mais de 500 assinaturas de delegados, agentes de polícia, policiais e bombeiros militares, guardas municipais, policiais penais, agentes de trânsito, policiais rodoviários federais e policiais federais.
 
O texto denuncia perseguições a policiais que integram grupos antifascistas e urge pela criação de uma Frente Única Antifascismo com partidos, artistas e movimentos de classe e da sociedade civil.
 
“Nós, policiais antifascismo, acreditamos que o trabalhador policial deve se colocar ao lado dos demais trabalhadores no enfrentamento ao fascismo. Afinal, o projeto fascista em nosso país é um projeto de avanço no ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores”, diz o documento.
 
O grupo também alerta para o perigo de uma ruptura democrática no país com as recentes movimentações do presidente Jair Bolsonaro.  “A estratégia de avanço do projeto fascista no país é ampla. Mobilizam a intolerância e o ódio aos movimentos de esquerda nas ruas e nas instituições da República. Os esforços visando o aparelhamento e o comando da polícia federal e da Procuradoria Geral da República confirmam isso”, alertam os policiais.
 
O movimento dos Policiais Antifascismo foi criado em 2017, inicialmente por policiais do Rio e da Bahia, depois prolongado para outros estados. O bombeiro militar de Natal, Dalchem Viana do Nascimento Ferreira, é um dos cofundadores do movimento e auxiliou na criação do manifesto. Ele afirma que o grupo defende não só o impeachment de Jair Bolsonaro, como a cassação da chapa, processo que aguarda julgamento no Tribunal Superior Eleitoral.
 
“A eleição foi fraudada pela indústria das fake news, que inclusive contaminou nossos colegas na segurança pública. Bolsonaro não é nacionalista é entreguista. Trai a nação quando coloca seus interesse pessoais acima dos interesses nacionais”, afirma o bombeiro.
 
Ferreira diz que o presidente não representa os policias e denuncia a falta de um projeto de segurança para o país. “Bolsonaro não mostrou até agora nenhuma proposta ou plano de segurança pública, não se tem nada, nem estrutural nem paliativo . Além do discurso medíocre do bandido bom é bandido morto – desde que não seja ligado aos seus familiares e amigos”, diz.
 
“O Movimento nasce da necessidade de contraponto para evidenciar que o sistema que permite a morte de mais de 63 mil pessoas por ano deve ser repensado. Todo esse deve ser feito longe do ambiente corporativista das instituições. Por isso defendemos que Segurança Pública não deve ser assunto só de polícia. Defendemos que esse debate deve ser ampliado para toda sociedade, para além dos muros dos quartéis”, explica Ferreira.
 
Na última semana, Bolsonaro atacou manifestantes do movimento antifascistas. Além de chamar de vagabundos, drogados e terroristas, o presidente compartilhou uma postagem de Donald Trump dizendo que, assim como o americano, pretendo criminalizar o movimento no país. Neste domingo 07 está marcado manifestações em todo o Brasil contrário ao capitão. Ferreira garante que os policiais antifascistas estarão ao lado do povo.
 
“Além desse aspecto institucional temos agora o agravamento e ameaças de cunho anti-democrático do atual presidente. O que nos impulsiona ainda mais para a necessidade de se colocar ao lado de uma democracia popular”, concluiu o bombeiro.
 
 
 
Carta Capital
 

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