Cultura e Entretenimento
22/05/2012 - 02h27

Xou de horrores




Primeiro você vê as faces felizes de criancinhas bonitinhas, de várias cores, meninos, meninas, pintadinhos como bichinhos, de dez anos pra menos.

Alguns garotos fazem cara de moleque peralta. Algumas garotinhas piscam e mandam beijinhos.

Aí entra em cena as coxas roliças e bronzeadas da mulher. O shorts está enfiado no bumbum malhado. A letra, em coro: "é bom brincar com você, deixar rolar solto o que a gente quiser." Está além do sugestivo. É direto mesmo.

Não vi um segundo da entrevista de Xuxa ao Fantástico. Li o conteúdo hoje, porque pauta óbvia. Não assisto entrevistas de celebridades, que dirá chorosas.

Entendo que deem muita audiência. Nós, humanos, somos uns coitados. Gozamos com o dos outros, com o prazer e o sofrimento dos outros.

E pela audiência vale tudo, lição que aprendemos todo dia nos portais, nas tevês, no pseudo-jornalismo que gera cliques, e que cada vez mais me aliena e desafia.

Também entendo que para gente como Xuxa, o que não aconteceu "na mídia" não aconteceu.

Na beira dos 50, climatério bombando, glórias definitivamente no passado, é de se esperar a entrevista-bomba da rainha dos baixinhos, o eterno olho no espelho, há alguém mais bonita do que eu?

A influência de Xuxa e suas discípulas no aparecimento de uma geração de crianças hipersexualizadas e hiperconsumistas já deu pano pra manga suficiente.

Vou pular esse papo, lembrando antes que essa turma hoje tem trinta e tantos anos, e lembrando também que desta geração não saiu lá grandes cachorros.

Mas depois da entrevista para o Fantástico, sua trajetória soa ainda mais bizarra. Maria da Graça passou pelo horror de ser abusada sexualmente por três homens diferentes quando criança, e cresce pra criar Xuxa?

A modelo suburbana que aspira a símbolo sexual dos 80? A atriz iniciante que sai do bolo pra transar com um molequinho em Amor Estranho Amor?

A apresentadora sexy que recheou programas infantis de ninfetas rebolativas? A senhora botocada que fez fortuna empacotando a felicidade pré-fabricada, e agora se agarra à fama apelando para a misericórdia alheia?

É além de bizarro. É surreal. Sinto que vem mais. O Faustão, a biografia oficial, a ONG para quem sofreu abuso, a catarse que não é, porque não tem fim. Preferia que ela assumisse o lesbianismo, eterna fofoca jamais assumida e comprovada, casasse com uma mulher e pronto. Seria humano. Mas Xuxa, infelizmente, não é nosso Ricky Martin.
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por