Esportes
03/07/2012 - 05h40

O Corinthians já ganhou


Independentemente do resultado do jogo de quarta-feira contra o Boca Juniors, a campanha do Corinthians na Libertadores já é vencedora. Claro que uma eventual perda de título — o que torço para não acontecer — seria um baque, desses que deixam a gente de cama, com a cabeça inchada, durante um bom tempo. Mas a verdade é que o time alvinegro conseguiu, neste ano, se libertar de seus traumas e expulsar os fantasmas que sempre atormentaram o clube na competição.

Não era uma tarefa simples. Elencos mais estrelados do que este fracassaram na missão de levar o Corinthians à decisão da Libertadores. A equipe de 2000, campeã mundial, era tecnicamente muito superior à atual e, mesmo assim, foi eliminada pelo Palmeiras do Felipão. O time de 2006 também tinha mais craques do que este, mas naufragou antes que pudesse avistar o porto.
 
Gigante brasileiro/ O mérito da direção corintiana e da comissão técnica foi perceber que o problema era mais emocional do que técnico. Durante muitos anos, os dirigentes do clube entraram na pilha dos torcedores rivais, tratando a Libertadores como algo que ela não é. Óbvio que ganhar o título continental é bacana, principalmente por dar ao clube a oportunidade de jogar outro Mundial. Mas o Corinthians não precisa de mais esse troféu para ser um gigante do futebol brasileiro. Sua história já é gloriosa o bastante, com ou sem Libertadores.
 
O Tite teve um papel fundamental nessa mudança de comportamento. Aos poucos, ele conseguiu incutir na cabeça dos jogadores que não havia razão para eles carregarem nas costas o peso de fracassos anteriores. Isso é mais difícil do que parece. O ser humano tem a mania de assumir culpas que não tem e sofre por coisas que nem lhe dizem respeito. Hoje, o Corinthians é um time que joga sem culpa, olhando pra frente.
 
Isso não significa que a Libertadores já esteja decidida. Falta a prova final e tenho certeza de que o sofrimento da Fiel no primeiro jogo será fichinha perto do martírio reservado para a partida de volta. A equipe do Boca é experiente e sabe se portar fora de casa. Mas vejo o Corinthians emocionalmente preparado para suportar a pressão. O time não vai entrar preocupado em evitar uma tragédia, mas, sim, em ser campeão. Há uma grande diferença entre essas duas coisas.
O título não está ganho, mas o Timão já venceu...
 
Palavra de artilheiro
 
Quem trabalha com opinião, como eu, está sujeito a errar e acertar. Às vezes, a gente queima a língua em questão de segundos. Durante a transmissão do primeiro jogo do Corinthians na Libertadores, contra o Táchira, eu cheguei a dizer que o time brasileiro estava batido em campo. Nos acréscimos, o Ralf empatou o placar e eu tive de colocar o rabinho entre as pernas...
 
 
Mas, de vez em quando,  o comentarista também acerta. No domingo, tive a oportunidade de trabalhar na partida entre os reservas do Corinthians e os titulares do Palmeiras. Demonstrei o meu entusiasmo com o Romarinho (foto). Menos pelos dois gols que marcou e mais pela personalidade dele em campo. Não é fácil sair jogando pela primeira vez por um time grande — ainda mais num clássico contra o maior rival – e mostrar tamanha desenvoltura. Geralmente, o cara entra travado, com medo de fazer besteira e se queimar. Mas o garoto deu de ombros para a pressão.
 
Não imaginava, é claro, que ele fosse pisar na Bombonera como quem pisa no campo do Corintinha da Vila Sônia. Tampouco que marcaria, em seu primeiro toque na bola, o gol do empate contra o Boca. Nem a Mãe Dinah faria tal previsão. Mas já via no Romarinho uma alternativa, uma opção para a final da Libertadores. Apesar da brilhante campanha, o Corinthians tem sofrido com a instabilidade de seus atacantes, exceção feita ao Emerson. Era fácil perceber que o Tite levaria o menino à Argentina.
 
 
Confiança é tudo no futebol e a do Romarinho está nas alturas. No entanto, acho que o Tite deve iniciar a decisão com o menino  no banco, mesmo se o Jorge Henrique  não puder atuar. Caso o garoto comece como titular  e o Boca encaixe a marcação sobre ele,  o time perderá uma arma poderosa para o decorrer do jogo.




Walter Casagrande Júnior
Comentarista de futebol em jogos de transmissão ao vivo pela Rede Globo
Ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante
 

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