Esportes
14/08/2012 - 18h41

De que reclama o Ganso?




Paulo Henrique Ganso desembarcou de volta de Londres aborrecido com o pífio aproveitamento na seleção que disputou os Jogos. O meia santista esperava ter mais espaço no time de Mano Menezes e não escondeu decepção por ter aparecido muito pouco. Ele ainda negou que estivesse contundido a ponto de não entrar nas últimas partidas e garante que, se Muricy Ramalho quiser, no meio da semana reforça o Santos pelo Campeonato Brasileiro.

Alto lá! Tem alguma coisa que não bate nessa história. Os colegas que estiveram na Inglaterra afirmaram que Ganso estava nos planos do treinador para enfrentar a Nova Zelândia, última adversária da primeira fase do torneio de futebol. Não foi escalado porque se queixou de dores, desconforto, incômodo. Enfim, alegou que não estava em boas condições.
 
Passou por avaliação e ficou de molho. Especulou-se até que havia risco de ser cortado, como ocorrera com seu companheiro de clube, o goleiro Rafael. Mas, por deferência ou por esperança de recuperação, continuou com o grupo. No entanto, não foi mais visto em ação com a camisa medalha de prata olímpica. Ficou fazendo figuração.
 
Os jornais, as emissoras de tevê e os sites mostraram um Ganso aparentemente apático na última semana. As notícias davam conta que treinava leve e passava um tempo à margem do gramado. No sábado, dia da final com o México, estava no banco, como todos, e também aparentemente com ar dispersivo, absorto, em outro mundo.
 
Em seguida, se soube que não iria para a Suécia, para o amistoso de quarta-feira, por “motivos técnicos”. Assim como o zagueiro Bruno Univi, um mistério nesse elenco prateado. Daí, Ganso volta e revela que teve apenas dores musculares e que não se tratava de contusão mais séria.
 
O que aconteceu, então? Engano dele ou dos médicos? Disse isso para Mano e para o doutor Runco? Mostrou-se empenhado em cavar espaço na equipe, já que o mal-estar tinha passado? Ou, ao contrário, jogou a toalha, ao notar que estava em baixa? Como entender esse desaparecimento?
 
Não acho o técnico da seleção um gênio, tampouco o considero tolo. Será que ele deixaria Ganso no ostracismo para colocar até Alex Sandro no meio? Ou perdeu a confiança no meia?
 
Essa história tem aresta. E Ganso precisa, com urgência, definir o rumo que dará para a carreira. Há muitos pontos nebulosos – que, em última instância, só fazem mal a ele mesmo.





Antero Greco é jornalista, comentarista do programa Sportscenter (ESPN Brasil), colunista de O Estado de S. Paulo, um dos mais tradicionais jornais brasileiros, e tem blog ("Viramundo") no site do jornal.  

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