Política
12/01/2018 - 05h22

Márcio França 'não faz questão' de apoio de PSDB para concorrer em SP


Segundo vice-governador, que deve assumir cargo com a possível renúncia de Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência, secretários tucanos 'têm que deixar' o cargo
 
O vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), disse nesta quarta-feira que não precisa do apoio do PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato à presidência da República, à sua candidatura ao governo estadual. Em entrevista à rádio Bandeirantes, França afirmou que "não faz questão" do apoio e disse que os secretários tucanos da administração "tem que deixar" os cargos que ocupam porque não ficarão "numa posição tranquila sendo do PSDB, apoiando um candidato do PSDB, e estando no meu governo". Segundo ele, sua coligação nas próximas eleições será a maior do estado. França deve assumir o governo entre o fim de março e a primeira semana de abril.
 
— Eu não faço questão disso (do apoio do PSDB), não acho isso relevante. Eu sou do PSB (não preciso do apoio do PSDB), zero. Terei vários apoios comigo, serei a maior coligação de São Paulo, pode ter certeza. Eu sei fazer isso e vou fazer. Sou completamente desconhecido, mas no dia que assumir (o governo de São Paulo) vou passar a ser conhecido, eu suponho — afirmou.
 
O vice-governador afastou a possibilidade de os tucanos abrirem mão de uma candidatura após mais de duas décadas à frente do estado para apoiar o seu nome nas próximas eleições. Para França, "por uma questão de ética", todos devem sair da administração assim que ele assumir o governo.
 
— Eu me dou muito bem com os secretários dele (Alckmin), tenho relação. Agora, é claro, como tem no meio disso uma eleição, a eleição é um corte diferente. As pessoas que são do PSDB, se o PSDB tiver um candidato efetivo, e parece que quer ter, é claro que por uma questão ética eles deverão sair do governo. Eles é que vão pedir pra sair. Ninguém que é do PSDB vai ficar numa posição tranquila, sendo do PSDB, apoiando um candidato do PSDB, e estando no meu governo, num cargo de confiança meu. Tem que deixar (o governo), é o certo — defendeu.
 
França disse que no quadro atual da corrida ao Palácio do Planalto, Alckmin é o único com a "candidatura centrada" em um partido grande, o PSDB, com tempo de televisão e um grande número de apoiadores. Para ele, a propaganda partidária no rádio e na televisão será o ativo mais importante do próximo pleito.
 
— O quadro eleitoral é muito voltado a um ativo que pouca gente consegue compreender e demonstrou isso na eleição do (João) Dória (prefeito de São Paulo). A composição partidária que dá origem ao tempo de televisão é a essência da eleição, porque acabou aquele formato anterior de campanha muito longa e acabou o dinheiro privado. Então, o que sobrou como ativo de eleição? O tempo de televisão mais o fundo partidário. E, no Brasil, 12 partidos controlam o tempo de televisão.
 
O vice-governador de São Paulo ressaltou que o PT seguirá sendo um forte protagonista, ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja condenado em segunda instância e impedido de disputar as eleições.
 
— O segundo nome (além do nome de Alckmin) é um nome do PT, que as pessoas desprezam achando que é só o Lula. Não é só o Lula. O Lula não será candidato, todo mundo sabe disso. Ele vai ser condenado e vai ficar inelegível, mas o PT terá nome e o PT sempre será forte.
 
 
Chico Prado / Extra