Polícia
26/04/2018 - 09h14

Audiência sobre roubo de joias em agência da Caixa termina sem acordo


Advogados da instituição disseram que levarão os pontos discutidos em audiência à diretoria da Caixa. Nova audiência foi marcada para o dia 25 de maio.
 
A primeira audiência na Justiça Federal em Santos, no litoral de São Paulo, a respeito do furto de joias de uma agência da Caixa Econômica Federal, terminou sem nenhum acordo entre as partes, nesta terça-feira (24). Uma quadrilha invadiu a agência no dia 17 de dezembro e ficou por sete horas no local. Eles fugiram levando dinheiro, armas e joias penhoradas que estavam nos cofres.
 
Após o crime, no dia 28 de dezembro, a Caixa Econômica inicou o procedimento para ressarcir os clientes prejudicados. O Procon-Santos convocou as vítimas do assalto à agência para participar de mutirões para registro de reclamação contra o banco junto ao órgão de defesa do consumidor. Quase 3 mil pessoas já procuraram o Procon em busca de informação e formalizaram a queixa.
 
Até agora, já foram seis tentativas de acordo entre a Caixa e os clientes. Na audiência desta terça-feira, a instituição manteve a decisão de ressarcir os clientes que tiveram as joias de penhora furtadas, conforme o contrato. De acordo com o documento, os clientes receberiam 150% do valor das joias avaliadas pela Caixa. O documento é considerado abusivo pelo Procon.
 
Durante a audiência, que durou duas horas, estiveram presentes os juízes de conciliação, o Ministério Público Federal, vereadores de Santos, além de dois advogados do banco. O posicionamento dos advogados da Caixa Econômica Federal foi o mesmo.
 
"A Caixa vir aqui e dizer que os órgãos técnicos não querem mais negociar, isso é insuficiente. Isso é contrário a tudo que nós temos visto nos últimos anos. Essa questão, ao meu ver, e explicitei isso para a Caixa, demanda uma análise um pouco mais cuidadosa do que um cálculo econômico", disse o juiz Décio Gabriel Gimenez.
 
Os advogados da Caixa Econômica Federal disseram que 80% dos clientes que tiveram as joias furtadas já receberam comunicados oficiais. Eles também disseram que vão levar tudo o que foi discutido na audiência para a diretoria jurídica do banco.
 
O Ministério Público Federal e o Procon de Santos alegam que o banco pode perder muito mais, caso não haja um acordo com os clientes. "Uma série de ações individuais, certamente, serão ajuizadas, como algumas já vem ocorrendo. Há a possibilidade de uma ação coletiva e tudo isso vai impactar em gastos, em custos, seja para a manutenção das ações e acompanhamento dos processos por parte da Caixa", disse o coordenador do Procon de Santos, Rafael Quaresma.
 
No dia 16 de abril, a Câmara de Santos instaurou a Comissão Especial de Vereadores (CEV), presidida pelo vereador e líder do Governo, Ademir Pestana (PSDB), para acompanhar os desdobramentos de ação civil pública contra a Caixa Econômica Federal.
 
Os parlamentares esperam uma reunião com a diretoria da Caixa, em Brasília. "Vamos pedir para que reconsidere, que busque rever esse contrato, que traga mais Justiça. São contratos antigos, que precisam ser mudados. Esperamos que isso ocorra na próxima semana", disse o vereador Ademir Pestana (PSBD).
 
Uma nova audiência de conciliação foi marcada para o dia 25 de maio.
 
 
G1 Santos