Geral
11/01/2019 - 04h22

Doria defende concessão da rodovia Rio-Santos ao setor privado


O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), defendeu nesta quinta-feira a concessão ao setor privado da rodovia Rio-Santos (BR-101) durante o encontro com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
 
"Não faz sentido que uma rodovia dessa importância não esteja concessionada e operada pelo setor privado melhorando sua eficiência, reduzindo seu potencial de acidentes e melhorando sua funcionalidade para irrigar uma indústria importantíssima como a do turismo, para geração de emprego, renda e movimentação econômica", afirmou o governador a jornalistas ao sair do ministério ao lado do ministro, do secretário estadual e da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP).
 
Doria informou que a Rio-Santos garante o acesso à região do litoral norte de São Paulo e faz a ligação com o Rio de Janeiro.
 
Tarcísio confirmou que os investimentos na Rio-Santos serão garantidos por meio da licitação dos novos contratos de concessão Nova Dutra, operada atualmente pela CCR. O plano de casar os interesses comuns aos dois projetos foi antecipado pelo Valor no fim de 2018.
 
O governador de São Paulo elogiou a "conduta profissional" da equipe do ministro durante a discussão dos projetos.
 
Ferrovias
 
Conforme havia informado mais cedo, ao chegar à sede do ministério, Tarcísio disse que também tratou dos projetos do Ferroanel e do Trem Intercidades, o TIC.
 
O ministro reafirmou que o TIC terá um modelo de linha compartilhada para exercício de direito de passagem. "Temos a total condição de acomodar a operação de passageiros lá", afirmou. Segundo ele, será feita uma "licitação privada".
 
No caso do Ferroanel, a ideia é atrelar os investimentos à renovação de contratos de trecho ferroviário da MRS. "A gente agora vai construir os cronogramas", afirmou Tarcísio ao ser questionado sobre os prazos de implementação dos projetos.
 
Doria afirmou que o Ferronel é um projeto antigo, que não foi colocado em prática. "Será levado a cabo para duas regiões importantíssimas: Vale do Paraíba e região metropolitana de Campinas. Levará cargas e passageiros. Com recursos privados e vários grupos que nos procuraram, inclusive fundos."
 
Ceagesp
 
Já após reunião com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), Doria afirmou que ficou acordado que o programa de privatização da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), segundo Doria, será retomado. "Falamos sobre o projeto de privatização da Ceagesp, maior central de abastecimento do país, que pertence ao governo federal. A nossa proposta é que seja privatizada e mude de endereço para um local melhor e com melhores condições. As conversas evoluíram muito bem. Ficou definido que Tereza Cristina (ministra da Agricultura) e Gustavo Junqueira (secretário da Agricultura de São Paulo) trabalharão para evoluir no projeto de privatização que já existia e que vamos retomar de forma acelerada", disse o governador.
 
De acordo com ele, há quatro alternativas de endereço, mas ainda não é possível listá-los para não gerar especulação imobiliária. "A presença da Ceagesp será transformadora na nova área que ocupar. Será em uma área três ou quatro vezes maior que a atual. Ficará a beira de rodovia, o que facilitará tanto a chegada quanto a saída de mercadorias para o porto de Santos".
 
O governador de São Paulo explicou que o local ocupado atualmente pela Ceagesp será utilizado para sediar o Centro Internacional de Tecnologia e Inovação, uma espécie de "Vale do Silício Urbano de São Paulo".
 
Doria afirmou ainda que, durante a reunião, manifestou a Bolsonaro ser contrário ao funcionamento do Campo de Marte, de São Paulo, para pousos e decolagens de aeronaves. "Não faz o menor sentido que ali funcione pousos e decolagens de aeronaves. Vocês são testemunhas dos acidentes que já aconteceram ali. Não é local mais para funcionamento de aeroporto. O presidente Jair Bolsonaro me indicou o Brigadeiro Damasceno, que é o brigadeiro que comanda o Comando Aéreo em São Paulo, para evoluir num trabalho conjunto para ampliar o parque do Campo de Marte e a implantação do museu aeroespacial, sempre financiado pelo setor privado."
 
Além de Junqueira e Tereza Cristina, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) e os secretários do governo de São Paulo Henrique Meirelles (Fazenda) e Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) também participaram da reunião com o presidente.
 
 
Valor Econômico