Sindical
06/03/2019 - 04h25

Sindaport se reúne com nova diretoria da Codesp




Lideranças do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) se reuniram, na tarde da última quarta-feira (27), com o novo presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Casemiro Tércio dos Reis Lima Carvalho e os diretores de Relações com o Mercado e Comunidade (DIREM), Danilo de Moraes Veras, e de Engenharia (DIENG), Jennyfer Tsai.
 
No encontro oficial, que ocorreu na sede da estatal portuária, também estavam presentes os prováveis futuros diretores, indicados pelo Governo Federal, porém ainda não empossados, Fernando Biral, para a Diretoria Administrativa e Financeira (DIAFI) e o Capitão dos Portos da Marinha do Brasil, Marcelo Ribeiro, para a Diretoria de Operações Logísticas (DILOG).
 
Após desejar uma gestão profícua aos novos comandantes da Codesp, o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, teceu suas considerações iniciais e reforçou o posicionamento da entidade sindical em favor da manutenção da empresa enquanto autoridade portuária pública. "Como cartão de visitas apresentamos nossa total contrariedade a qualquer ideia, estudos, projetos ou gestões que visem à regionalização ou privatização da companhia", afirmou o sindicalista.
 
Por sua vez, Casemiro Tércio afirmou não ter opinião favorável à regionalização em questão. Já sobre a privatização, entende que o Planalto também não deverá ser favorável ao modelo nesse início de governo podendo, no entanto, haver uma abertura de capital da empresa, porém com o Governo Federal se mantendo na condição de acionista majoritário, com mecanismos de controle junto aos conselhos da empresa e métodos de governança em algumas gestões e operações privadas. Sobre a sempre controversa questão da dragagem, disse concordar não apenas com a terceirização dos serviços, como também com a sua total concessão.
 
A reestruturação administrativa da estatal também foi destacada por Everandy Cirino. "Entendemos que poderia ser criado um grupo de trabalho, com a participação de empregados, para discutir especificamente esse importante assunto antes da adoção de quaisquer medidas no preenchimento de cargos, sobretudo para que a nova administração possa tomar ciência do processo em andamento proposto pelo Sindaport com relação à nomeação de pessoas para cargos de confiança sem concurso público."
 
Na avaliação do dirigente sindical, além de fortalecer a empresa aos olhos da comunidade portuária, mediante a implantação de conceitos e medidas inovadoras em termos de gestão, a criação do grupo também fortaleceria o quadro de empregados propiciando uma motivação interna diante das injustiças verificadas nas administrações político-partidárias que se sucederam ao longo dos anos à frente da Codesp.
 
Tema sempre recorrente o Portus, instituto de seguridade social dos empregados das companhias docas públicas, mereceu uma maior atenção na reunião. "O saldamento da dívida da instituição precisa ser tratado com extrema urgência, sendo mais do que nunca necessário o agendamento de uma audiência de mediação junto a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), uma vez que corre sérios riscos de ser liquidado em razão de sua situação deficitária", disse o presidente do Sindaport, que no ensejo parabenizou Casemiro Tércio pela entrevista concedida horas antes para telejornal da TV Tribuna, quando mencionou a posição favorável da empresa em favor do plano.
 
De acordo com o Sindaport, o novo presidente da Codesp afirmou estar ciente da urgência que o Portus requer sendo, inclusive, um aliado no assunto para adoção de possíveis gestões que afastem qualquer possibilidade de prejuízos aos participantes assistidos ou ainda na ativa.
 
Em resposta, Everandy Cirino fez questão de mencionar a existência de um planto alternativo provisório o qual consiste no rateamento percentual, por parte das companhias docas estatais, do déficit da folha de pagamento do instituto previdenciário até que haja uma definição sobre o assunto. "A cotização é relevante para que o Portus se mantenha saudável financeiramente e com caixa necessário para cumprir suas obrigações com a folha de pagamento dos seus integrantes", pontuou o líder sindical.
 
Atualmente o Portus conta com aproximadamente 10.000 participantes, sendo 8.000 assistidos (aposentados ou viúvas) e 2.000 ativos, envolvendo 13 companhias docas públicas: 8 federais, 4 estaduais e uma municipal.
 
A criação de um grupo de estudos para discutir o turno de 06 horas para atividades de Atracação e Fiscalização também foi sugerida pelos representantes do Sindaport. "Existem propostas que viabilizam tabelas com jornadas laborais diferentes propiciando melhores condições de folgas aos finais de semanas, sem prejuízos dos serviços e das demandas, e sobremaneira das horas trabalhadas", ressaltou o dirigente.
 
Aplicado nos últimos anos em diversas empresas estatais, o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) foi lembrado no encontro. "Mesmo sem uma definição sobre a situação do déficit do Portus, alguns companheiros ainda manifestam o desejo de se desligar da Codesp, e nesse sentido solicitamos a abertura, com urgência, de um novo PDV, de preferência antes da aprovação da chamada Reforma da Previdência, já protocolada no Congresso Nacional, evitando assim conflitos com o item que retira a multa de 40% sobre o FGTS para empregados já aposentados", salientou Everandy Cirino.
 
Com referência a greve dos estivadores, iniciada na última sexta-feira (1º), destinada para ocorrer em apenas três terminais de contêineres (Santos Brasil, Libra e BTP), o sindicalista deixou claro que a Codesp deve se manifestar na qualidade de Autoridade Portuária. "Assim como os demais sindicatos, o Sindaport se manteve solidário aos companheiros da estiva, mas não aderindo ao movimento paredista, que entendemos como justo e legítimo", disse o dirigente sindical, que se colocou à disposição da nova diretoria da empresa para ser um elo com as lideranças do Sindicato dos Estivadores de Santos.
 
Noticiadas no portal Sindaport sob o título "Novos diretores assumem com o pé esquerdo", as excêntricas e chacoteadas mudanças promovidas pelos diretores Danilo de Moraes Veras e Jennyfer Tsai mereceram um capítulo à parte. "Os dois chegaram chegando, como se estivessem em embarcações notadamente adernadas, e atracaram de ré desnecessariamente", comparou o sindicalista.
 
Segundo os novos dirigentes da estatal portuária, as mudanças estruturais se mostraram necessárias em razão da existência de muitas e pequenas salas de trabalho, em sua maioria com excesso de divisórias, e para tanto entenderam ser mais produtivo um novo modelo dotado de ambientes maiores e mais amplos, cujo objetivo foi proporcionar maior conforto e qualidade laboral aos colaboradores.
 
Na mesma linha, os executivos informaram que idêntico processo de mudança foi implementado em seus próprios gabinetes, que deixaram de ser individuais, cabendo a todos atuarem em uma sala ampla com mesas grandes para todos os diretores e funcionários, próximos uns aos outros.
 
Na sequência, falaram sobre a mudança no regramento para estacionamento dos veículos, no qual não haveria mais vagas individualizadas sendo ocupadas de forma coletiva, ou seja, por quem chegar primeiro. Sobre o tema, segundo a implacável "radio peão, o fenômeno da comunicação" a motivação para a abrupta alteração teria sido a reclamação feita por uma antiga colaboradora com o dono de um veículo estacionado em sua vaga, sem saber que se tratava de um dos novos diretores da Codesp.
 
Outro cascudo tema também abordado pelos mandatários da empresa foi a futura visita a ser feita no lendário edifício da DIROP logo após o Carnaval e a já comentada transferência de quase a totalidade dos empregados ali lotados para a sede majoritária da Codesp, situada na Avenida Rodrigues Alves. Nesse quesito, Everandy Cirino lembrou que a possível realocação do pessoal lotado na DIROP vem sendo alvo de estudos e propostas há pelo menos três administrações anteriores. É aguardar para ver.
 
A polêmica da religiosidade também não foi deixada de lado no encontro da última quarta-feira. Casemiro Tércio deixou claro que não procedem os comentários sobre a proibição de se colocar nas mesas de trabalho fotos dos familiares. Segundo o mandatário da Codesp, sua solicitação foi para a retirada de imagens de santos das paredes para que seja respeitada a pluralidade religiosa, uma vez que muitos, como ele próprio, não fazem adoração a imagens. Amém.
 
Com uma nova forma de composição, sem as até então habituais indicações feitas por diferentes deputados ou senadores, cabendo ao presidente da República, Jair Bolsonaro, carta branca para as nomeações, o fato é que essa nova diretoria da Codesp já demonstrou ser totalmente diferente de suas antecessoras.
 
Além de promoverem mudanças em seus próprios gabinetes e utilizarem apenas três veículos, pasmem, somente para diligências durante o expediente e ao longo do porto, segundo eles próprios, o mais novo comando da Codesp dispensa o uso do paletó e gravata e solicita aos seus interlocutores para que não sejam chamados de presidente, diretores e tampouco doutores, e sim pelos seus próprios nomes.
 
O fato é que a cada troca no comando do leme da estatal as manifestações se recrudescem cabendo aos críticos de plantão às reclamações de sempre diante de qualquer alteração que seja, aplicada ou apenas anunciada, e os elogios aos que decerto se sentiam injustiçados pela direção anterior em razão das mesmas mudanças implementadas ou em curso. Nessa toada, o Sindaport recomenda prudência aos contreiros (sic) por natureza e caldo de galinha aos que acreditam na existência de Papai Noel.
 
Certamente para os companheiros de posições contrárias, pelo perfil dos novos diretores, oriundos da iniciativa privada, haverá um choque de opiniões, considerando prováveis e inevitáveis conflitos. O que o Sindaport espera, e defenderá, é que os legítimos direitos de seus associados e representados sejam respeitados enquanto empregados da Codesp e principalmente como seres humanos.
 
Todas as mudanças e qualquer que seja o planejamento que promova o fortalecimento da Codesp na qualidade de Autoridade Portuária de Santos, valorizando o capital humano, respeitadas as conquistas trabalhistas previstas há décadas nos diversos acordos coletivos de trabalho celebrados com a categoria, terá sempre o Sindaport como um verdadeiro parceiro e aliado.
 
No entanto, ao final destas parcas linhas não poderíamos deixar de salientar que já assistimos várias vezes esse "filme" em passados recentes. Sempre que chega uma nova diretoria a velocidade inicial é impressionante, assim como é enorme a quantidade de propostas para mudanças. Todavia, com o decorrer do tempo o ímpeto vai diminuindo, as dificuldades vão aumentando e as tais mudanças são engavetadas como meros projetos.
 
Apesar desse triste histórico, ainda assim e respeitadas todas as crenças, inclusive a do presidente Casemiro Tércio, oxalá que a gestão da diretoria que assume seja coroada de absoluto sucesso, uma vez que suas conquistas e avanços serão benéficos não apenas para os empregados da empresa, como também para toda comunidade portuária e, sobretudo, para o Porto de Santos, o maior e mais importante da América Latina.
 
A luta continua...


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