Sindical
27/03/2019 - 07h35

Greve de caminhoneiros: Santos não para, diz líder do Sindicam



 
Não existe razão para que caminhoneiros deflagrem uma greve nacional no próximo dia 30, afirma José Cícero Rodrigues, diretor do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam). As ameaças de paralisação no dia 30 de março, que circulam em grupos de WhatsApp, vêm sendo acompanhadas pelas lideranças, informa ele, mas não tomaram uma proporção que cause preocupações.
 
"Na Baixada Santista, não há possibilidade nenhuma", assegura ele, ao se referir aos trabalhadores que carregam no Porto de Santos, principal do país. Na visão do sindicalista, há interesses políticos por trás dessa movimentação, e não uma motivação concreta da categoria, embora ele prefira não entrar em detalhes sobre quem estaria na articulação. 
 
"Para haver mobilização aqui, seria necessário convencer os caminhoneiros de que a causa é de interesse de todos, e não chegar com esse fim de usar os motoristas como massa de manobra", diz ele, acrescentando que nem as federações, nem a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) sinalizaram algo.
 
Portas abertas em Brasília
 
Segundo Rodrigues, ao contrário dessa disposição, a categoria está em compasso de espera dos movimentos do governo. "Brasília está mantendo as portas abertas, a categoria foi até recebida pelo ministro Onyx", ressalta.
 
O sindicalista se refere à reunião que ocorreu há dez dias entre lideranças da categoria e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, com participação de corpo técnico da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Presidente da Abrava e da Brascoop, duas das associações que representam a classe, Wallace Landim, o Chorão, também foi ao Fórum dos Transportadores Rodoviários de Carga, com o secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio. Landim, inclusive, se pronunciou mais cedo sobre essa nova mobilização dos caminhoneiros dizendo-se totalmente contra o movimento programado para o dia 30 deste mês.
 
No encontro, os motoristas autônomos cobraram ações efetivas do governo em relação a interesses da categoria, como a fiscalização do piso mínimo de fretes e uma política para baixar o preço do diesel. 
 
"O preço do diesel é uma questão que vem preocupando, de fato a categoria está assustada. Mas o momento ainda é de espera, estou acompanhando tudo e tranquilo", afirma Rodrigues.


Valor Econômico