Saúde
25/04/2019 - 02h41

Mortes por doenças cardíacas assustam na Baixada Santista


O número de mortes relacionadas a doenças cardíacas na região está acima da média do Estado de São Paulo
 
O número de mortes relacionadas a doenças cardíacas na região está acima da média do Estado de São Paulo, e tem acendido um alerta nas autoridades da região. De acordo com dados do DATASUS de 2015, as cidades da Baixada Santista possuem índice de 94,8 casos para cada 100 mil habitantes. O número está acima dos dados da Grande São Paulo (75,2) e de Campinas (66,7).
 
O cenário preocupa ainda mais porque o alto índice não se deve apenas ao elevado número de idosos na região, fatia superior a 15% da população na Baixada Santista. Os dados oficiais apontam que, mesmo excluindo as pessoas com 60 ou mais anos, o número de mortes por doenças coronarianas permanece alto.
 
Uma das possibilidades para este cenário seria o não cumprimento do protocolo de atendimento das doenças cardiovasculares (portaria 2994 do Ministério da Saúde), por parte do atendimento inicial em unidades de saúde. As informações foram confirmadas por profissionais da área da saúde ao vereador Rui de Rossis, que realizou uma audiência pública no dia 29 do mês passado para debater o tema.  
 
"Dada a gravidade do assunto e a necessidade de debatermos e solucionarmos definitivamente este problema em nosso sistema de saúde, fez-se necessária audiência pública".
 
O recente caso de uma idosa que faleceu na UPA da Zona Noroeste após longa demora no atendimento, também trouxe à tona novamente o alerta. Cinco dias antes do falecimento da munícipe, Rui já havia apresentado o requerimento nº 800/2019 alertando para a falha no cumprimento do protocolo de atendimento de doenças cardíacas na cidade.
 
Na propositura, o Presidente do Legislativo questionou as autoridades para que o município enquadre-se na portaria 2994, de 13 de dezembro de 2011, do Ministério da Saúde, que dita sobre o protocolo de atendimento das doenças cardiovasculares, em especial ao infarto agudo miocárdio, como o uso de terapia trombolítica para prevenir sequelas e óbitos.
 
Segundo o cardiologista Dr. Sergio Paulo Camargo, as estatísticas seguem altas por três fatores principais: falha no diagnóstico, no encaminhamento hospitalar e no tratamento.
 
Medidas
 
Após a realização da audiência pública, o vereador se comprometeu a levar o assunto aos deputados estaduais da região e solicitar a criação de uma frente parlamentar para levar as reivindicações ao governador do Estado, "principalmente aquelas relativas ao Hospital Guilherme Álvaro, único Hospital Público de atenção terciária de alta complexidade em toda a Baixada Santista. Quanto aos municípios, exigirmos maior critério na contratação de profissionais de saúde nos serviços de urgência e emergência, com qualificação prévia além de cursos de educação médica continuada para os mesmos", declarou.
 
 
Diário do Litoral