Polícia
06/06/2019 - 08h02

Com mais de 65 mil assassinatos, Brasil bate recorde histórico


Taxa de homicídios por 100 mil habitantes varia de 10,3 em São Paulo a 62,8 no Rio Grande do Norte, aponta estudo produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública
 
Mais brasileiros estão sendo assassinados.
 
O País atingiu, pela primeira vez em sua história, o patamar de 31,6 homicídios por 100 mil habitantes.
 
A taxa, registrada em 2017, corresponde a 65.602 homicídios naquele ano e revela a premência de ações efetivas para reverter o aumento da violência.
 
É o que aponta o Atlas da Violência 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira, 5.
 
Alta no Norte e Nordeste
 
O estudo identifica dois fenômenos no país: enquanto mais estados reduzem a taxa de letalidade violenta, há forte crescimento no Norte e no Nordeste.
 
Em 2017, as taxas de homicídios por 100 mil habitantes foram bastante heterogêneas entre as unidades da Federação.
 
Assim, variam de 10,3 em São Paulo a 62,8 no Rio Grande do Norte.
 
Houve diminuição no Sudeste e no Centro-Oeste, estabilidade no Sul e crescimento acentuado no Norte e no Nordeste.
 
O estado com maior crescimento no número de homicídios em 2017 foi o Ceará.
 
Lá registrou alta de 49,2% e atingiu o recorde histórico de 5.433 mortes violentas intencionais, causados por armas de fogo, droga ilícita e conflitos interpessoais.
 
No Acre, a variação foi de 42,1% em 2017, totalizando 516 homicídios.
 
Além disso, considerando-se o período de 2007 a 2017, o número de homicídios subiu 276,6% no estado.
 
Dessa forma, o crescimento da violência letal no Acre está associado à guerra por novas rotas do narcotráfico.
 
Eles  saem do Peru e da Bolívia e envolvem três facções criminosas.
 
São elas: o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Bonde dos 13 (B13).
 
Assim, este fenômeno também influencia o número de homicídios no Amazonas.
 
Ou seja, ele praticamente dobrou em uma década e chegou a 1.674 em 2017.
 
Desta forma, na outra ponta, o estado com maior redução na taxa de homicídios em 2017 foi Rondônia (-22%), seguido por Distrito Federal (-19.7%) e São Paulo (-4,9%).
 
Perfil das vítimas
 
Homem jovem, solteiro, negro, com até sete anos de estudo e que esteja na rua nos meses mais quentes do ano entre 18h e 22h.
 
Este é o perfil dos indivíduos com mais probabilidade de morte violenta intencional no Brasil.
 
Os homicídios respondem por 59,1% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no País.
 
Apenas em 2017, 35.783 jovens de 15 a 29 anos foram mortos, uma taxa de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens, recorde nos últimos 10 anos.
 
A juventude perdida é considerada um problema de primeira importância para o desenvolvimento social do país.
 
E ela vem aumentando numa velocidade maior nos estados do Norte.
 
Feminicídio
 
Os dados do Atlas da Violência também trazem evidências de outra tendência preocupante.
 
Trata-se do aumento, nos últimos anos, da violência letal contra públicos específicos.
 
São os casos de negros, população LGBTI+ e mulheres, nos casos de feminicídio.
 
De 2007 a 2017, a desigualdade de raça/cor nas mortes violentas acentuou-se no Brasil.
 
A taxa de negros vítimas de homicídio cresceu 33,1%, enquanto a de não negros apresentou um aumento de 3,3%.
 
Em 2017, 75,5% das vítimas de homicídio eram pretas ou pardas.
 
Mais uma vez, o Rio Grande do Norte está no topo do ranking, com 87 mortos a cada 100 mil habitantes negros, mais que o dobro da taxa nacional.
 
Os cinco estados com maiores taxas de homicídios negros estão localizados na região Nordeste.
 
O ano de 2017 registrou, também, um crescimento dos homicídios femininos no Brasil, chegando a 13 por dia.
 
Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, o maior número registrado desde 2007 – 66% delas eram negras.
 
Entre 2007 e 2017, houve um crescimento de 30,7% nos homicídios de mulheres no Brasil.
 
A situação foi mais grave novamente no Rio Grande do Norte, que apresentou uma variação de 214,4% em 10 anos, seguido pelo Ceará (176,9%).
 
Além disso, as maiores reduções decenais ocorreram no Distrito Federal, no Espírito Santo e em São Paulo, entre 33,1% e 22,5%.
 
Ainda chama a atenção o caso do Espírito Santo, que era campeão da taxa de homicídios femininos no país em 2012.
 
População LGBTI+
 
Além disso, o Atlas de 2019 traz uma seção inédita, sobre a violência contra a população LGBTI+.
 
Segundo uma das bases utilizadas pela pesquisa (o canal de denúncias Disque 100), houve um forte crescimento nos últimos seis anos nas denúncias de homicídios contra a população LGBTI+.
 
Ou seja, elas subiram de cinco em 2011 para 193 em 2017, ano em que o crescimento foi de 127%.
 
Assim, os pesquisadores compararam esses dados com informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, e encontraram um mesmo resultado qualitativo.
 
Portanto, em mais de 70% dos casos, os autores do crime são do sexo masculino, enquanto que a maioria das vítimas é de homo ou bissexuais do sexo feminino.
 
O estudo completo está disponível neste link.
 
 
Da Redação